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Dicas...

 

Animais Abandonados, texto muito bom!!!

Este trabalho comenta o problema do abandono de animais, que se verifica em ampla escala no mundo inteiro e também no Brasil.

Embora seja testemunhado no cotidiano de qualquer pessoa, a sociedade o tem negligenciado, julgando ser matéria sem interesse ou valor. No que se refere à proteção animal, pode ser considerado um dos problemas mais imediatos, e por isso tem motivado diversas ações. Infelizmente, continua longe de uma solução efetiva, até porque esta depende de atitudes do conjunto da população.

Seria valioso que a mídia, entre outros formadores de opinião, atentassem para este assunto, que oculta problemas bem mais complexos do que usualmente se considera. Na verdade, é uma questão que se relaciona com a vida de cada cidadão, seja em suas causas, seja em suas conseqüências.

O texto procura mostrar esta relação. Tece comentários sobre as diferentes formas de abandono, as iniciativas que cada pessoa pode ter para enfrentá-lo, bem como as medidas que são de responsabilidade do governo. Acima de tudo, procura mostrar que os animais têm valor e que é responsabilidade nossa protegê-los.

Partimos da idéia de que toda vida senciente, isto é, capaz de sentir, jamais deve ser submetida por nós ao sofrimento. Para os animais, o abandono é exatamente isto: uma experiência sofrida, dolorosa e triste.

Ao término do trabalho, são feitos alguns comentários adicionais, com respeito a diversos problemas e ao movimento que se organiza para combatê-los.

O QUE É ABANDONO?

É o modo como vivem milhões de animais, principalmente cães e gatos, em nossas cidades. Caracteriza-se pela falta de um lar, ocasionando situações
de desamparo as mais diversas, a maioria marcada por extremo sofrimento. Encontram-se nesta situação animais de todos os tipos: recém-nascidos e
idosos, SRD - Sem Raça Definida - e de diversas raças, que passaram a vida nas ruas e que nelas foram jogados.

Ainda é comum, para a maioria das pessoas, não dedicar suficiente atenção aos animais abandonados. Para muitas, um cão ou um gato perambulando na rua é um detalhe insignificante, sobre o qual há pouco para pensar. Existe a crença de que estes animais estão preparados para viver sozinhos, até mesmo
numa cidade. Por outro lado, mesmo quando presenciamos algum deles em sofrimento - acidentado, doente -, o fato de tratar-se de um animal facilita
esquecer esta visão.

Esta é uma atitude partilhada, em geral, pela sociedade. Não é por outra razão que um número imenso de animais encontra-se abandonado, em todo o
mundo. Mas tais crenças não sobrevivem a uma reflexão mais aprofundada. Na verdade, cães e gatos já foram animais selvagens, e nessa condição viviam
num habitat onde sabiam buscar o necessário para sua sobrevivência. Porém, ao serem domesticados, foram trazidos para o ambiente humano, que a natureza não os preparou para enfrentar, e por isso só podem sobreviver sob o cuidado das pessoas.

Basta conhecer, um pouco melhor, como o abandono acontece, e passamos a encará-lo com outros olhos. Podemos ver animais sem lar nas ruas, praças e terrenos baldios; nos abrigos mantidos por sociedades protetoras; e também nos CCZs - Centros de Controle de Zoonoses -, para onde são levados pelo
poder público.

FACES DO ABANDONO

*Logradouros públicos* - Para alguns animais, o abandono existe desde o nascimento, quando são paridos na rua. Se a mãe tiver encontrado um lugar seguro, onde possa amamentá-los, e se conseguir manter a própria saúde, por tempo suficiente, os filhotes poderão crescer. O que muitas vezes acontece, entretanto, é a mãe não encontrar um local tranqüilo, de modo que a cria fica exposta aos elementos, aos seres humanos e a outros animais. Nesse caso, uma noite fria pode ceifar algumas vidas; um veículo pode atingir filhotes que, desavisadamente, tenham ido até a rua; ou alguém pode exercitar sua
crueldade, matando-os; e um animal faminto pode atacar, na ânsia de garantir a própria sobrevivência. Algumas vezes, no entanto, o que acontece é a mãe
ficar doente ou morrer, condenando toda a ninhada.

Como a reprodução acontece sem cessar, entre os animais que vivem nas ruas, a morte de filhotes nunca cessa também. Levando em conta que um único casal, seja de gatos ou cachorros, pode originar dezenas de descendentes, no espaço de um ano, e alguns milhares, nos decorrer de vários anos, o quadro
afigura-se assustador. Muito embora a maioria desses animais morra, a população abandonada continua aumentando, pelo ritmo em que se reproduz.
Infelizmente, ao invés de provocar consternação, o grande número de animais gera descaso - na lógica perversa de que, quanto mais existem, menos devem valer.

Existem muitos filhotes que não nasceram na rua, mas foram descartados por serem considerados um incômodo. Estes sequer podem contar com a presença da mãe, e não sobrevivem mais do que alguns dias, até porque também ficam sujeitos a todas as situações já mencionadas. Na verdade, algumas pessoas têm o costume de abandonar ninhadas sucessivas, e outras abandonam com requintes de insensibilidade, por exemplo, largando-as em descampados, onde o calor as condena a uma sofrida agonia. Em qualquer cidade, não é difícil achar estas ninhadas, que apenas um ato de compaixão pode salvar.

Para um animal mais velho, a existência se torna uma luta árdua e sem fim. O abandono causa uma série de dificuldades, que cedo ou tarde fazem suas
vítimas - a grande maioria dos cães e gatos sem lar não sobrevive mais do que poucos anos. A busca por água e comida, que se repete dia após dia, é uma das causas de sofrimento, seja porque nem sempre a encontram, seja porque são freqüentemente escorraçados, em frente de estabelecimentos comerciais. Além disso, os animais sofrem todas as mudanças do clima, como noites extremamente frias e dias escaldantes. O contato com a rua pode suscitar doenças de pele, capazes de deixá-los com aparência lastimável, e outras moléstias, que podem eventualmente levá-los a morrer, após semanas ou meses padecendo. Os acidentes são outra ameaça constante, pois até um pequeno corte pode originar um suplício, por ação de bicheiras que nele se instalam, e uma pequena fratura, por não ser tratada, faz do simples ato de caminhar um motivo de sofrimento.

Esta situação se torna ainda pior, no caso de animais que, após anos vivendo na proteção de um lar, são rejeitados. Isto vem ocorrendo com freqüência
cada vez maior, pelos motivos mais banais que se pode imaginar - em certos lugares, é comum animais serem abandonados cada vez que as famílias saem de férias. E como reage um animal que sente falta da pessoa com quem vivia, que nunca andou sozinho na rua, que não sabe procurar seu alimento, ao deparar-se com a ausência, o desamparo, a fome? Fica totalmente desorientado, e ainda mais propenso a gestos precipitados, como lançar-se no
meio do trânsito. O resultado mais comum é a morte.

Enfim, a crueldade sempre está presente, fazendo do abandono um verdadeiro inferno. Vai muito além de pessoas que abandonam animais para condená-los a morrer, de motoristas que os atropelam de propósito. A fome e a sede são os fatores que mais vulnerabilizam os animais, e não falta quem ofereça comida envenenada, praticando matanças - como ocorre até em condomínios. No dia-a-dia das ruas, atos de sadismo também são comuns, de pessoas que perseguem, apedrejam, mutilam, incendeiam e até molestam sexualmente cães e gatos. Não é comum presenciarmos tais atrocidades, que usualmente acontecem em lugares ermos, porém alguns desses animais são encontrados por pessoas c ompassivas, que os socorrem por conta própria ou encaminham-nos às sociedades protetoras. Muitas vezes, é impossível salvá-los, devido à gravidade dos ferimentos. Resta apenas o testemunho da violência e o desejo de que isto acabe, algum dia.

Em relação à violência com animais, um comentário. Tem sido apontado, em pesquisas recentes, o fato aterrador de que, para além dos males que
acarreta aos animais, esta violência usualmente prenuncia atos semelhantes contra pessoas. Como demonstra um estudo do FBI - o departamento de
investigações norte-americano -, ao analisar as biografias de vários *serial killers*, estes indivíduos usualmente começam suas atividades pelo maltrato
de animais. No Brasil, onde são comuns os maus-tratos de animais, o mesmo padrão certamente existe. Trata-se de um único impulso, a violência,
expresso de maneiras diferentes contra vítimas diferentes.

Na verdade, o problema desce à profundidade ainda maior, levando em conta estudos da mesma linha, centrados em famílias onde ocorre agressão contra
animais. Há casos de mulheres que são mantidas em casa pelos companheiros, temendo que seus animais sejam mortos caso tentem separar-se. Inclusive, diversos abrigos para mulheres pobres, nos Estados Unidos, oferecem hospedagem para os animais também. Outra questão que vem sendo percebida é o elo da violência contra crianças e animais, que sofrem abusos no âmbito familiar. Às vezes, os pais maltratam o animal da criança, para castigá-la ou forçar sua obediência. Outras vezes, é a criança que maltrata o animal, como uma forma de compensar a violência de que ela própria é vítima. Nos Estados Unidos, estes fatos levaram organizações protetoras de crianças e sociedades protetoras de animais a fazerem parceria, de modo que, quando se constata maus-tratos de animais numa família, esta é visitada por inspetores, que verificam se não há também crianças abusadas ali - e
vice-versa.

Como está ocorrendo nos Estados Unidos e outros países, seria valioso que as autoridades brasileiras - desde polícia até educadores - prestassem mais
atenção na violência contra os animais, não apenas devido ao sofrimento que acarreta para os mesmos, mas também pelo sofrimento humano que pode vir
junto.

*Centros de Controle de Zoonoses* - Outra ameaça presente, em muitas cidades, é a chamada "carrocinha". Com o pretexto de controlar a população de animais abandonados e impedir a disseminação de doenças, em muitos municípios os animais são capturados e enviados ao CCZ. Ali, esperam durante alguns dias, por alguém que os resgate, e, não acontecendo isto, são mortos.

O tratamento que é dispensado aos animais, na maioria dos CCZs, é atroz. A começar pelo modo como se procede à captura - laçando com violência e
jogando em camburões. Em muitos CCZs, os canis e gatis são infectos, constituindo os próprios locais uma fonte de doenças. Os animais, que antes
viviam soltos, sofrem o medo do cárcere, e, nos canis, os latidos tornam o ambiente ainda mais carregado. Na hora de executar os animais, a violência
continua presente, nos métodos cruéis utilizados: choque, descompressão, envenenamento... Todos, usualmente, sem sedação.

Com respeito à execução, alguns CCZs estão mudando seus procedimentos. Outros métodos, considerados menos cruéis, têm sido implementados. Assim, os animais são sedados e mortos com injeção letal - evitando a tortura que acontece em outros locais. Porém, a mudança para este sistema tem sido vagarosa, de modo que o quadro ainda é péssimo na maior parte dos municípios que exterminam animais. E nessa questão, é importante lembrar, o erro não consiste apenas em matar um animal de forma dolorosa, mas em matá-lo seja de que modo for, quando isto é um desrespeito ao instinto de viver que ele possui.

Na verdade, é sabido que a execução de animais em CCCZs, além do mau-trato que envolve, é um método equivocado de controle populacional. Ao contrário do que costuma ser divulgado pelas prefeituras, não há tantos animais que sejam portadores de doenças graves, incuráveis e transmissíveis aos
humanos... Da mesma forma, nunca será possível cessar o abandono através do extermínio, como demonstra a experiência de grandes cidades, que matam sem cessar e continuam com o problema. Há formas mais humanas e eficazes de agir, porém exigem mais empenho dos governos, daí serem comumente ignoradas.

Mas todos os cidadãos que pagam impostos têm o direito de protestar, quando um governante aplica de maneira tão absurda os recursos do município. A
respeito disso e das alternativas ao extermínio, comentaremos adiante.

Um fato menos conhecido, mas igualmente grave, é a parceria de CCZs com faculdades da área biomédica - Medicina, Veterinária, Biologia, etc. O
objetivo é enviar-lhes, periodicamente, alguns dos animais recolhidos, para serem usados em aulas e pesquisas, até finalmente serem mortos. Nestas
faculdades, o que os espera é o sofrimento - por causa de manuseio incorreto, de sedação mal aplicada, de serem usados repetidas vezes, ou
tão-somente por encontrarem-se num local estranho, onde são tratados como objetos.

Esta é uma realidade ainda comum no Brasil. Em vários outros países, embora ainda aconteça, já existe uma tendência à mudança. Tradicionalmente, animais têm sido usados na pesquisa e no ensino, pois se acredita que seus organismos sejam similares ao do ser humano, o que tornaria possível usar
outras espécies para desenvolver técnicas e testar substâncias que depois são aplicadas em pessoas. Todavia, cientistas com senso crítico apurado têm
exposto o erro desse método, pois hoje se sabe que cada espécie tem uma constituição orgânica singular, o que começa por se verificar na própria
anatomia e se estende ao nível mais sutil dos processos celulares. È por este motivo que, em centenas de faculdades de medicina ao redor do mundo,
animais deixaram de ser usados como modelos em aulas de técnica operatória. E em laboratórios dos mais diversos campos de pesquisa, animais são cada vez mais substituídos por tecnologias que revelam o que se deseja saber a respeito do ser humano.

Felizmente, o progresso que existe em outros lugares já começou a se fazer sentir aqui também, de modo que várias organizações têm surgido, em defesa
de métodos mais avançados de pesquisa e ensino. Esta luta tem crescido nos últimos anos, podendo-se citar o exemplo de alunos que começam a exigir
mudanças em suas faculdades, para que nem eles sejam forçados a usar animais, nem estes sofram o desrespeito de serem reduzidos à condição de
instrumentos. Desta maneira, há um número crescente de cursos onde o uso de animais diminuiu, ou mesmo cessou por completo, o que é uma importante vitória.

Tal como o sacrifício nos CCZs, a tortura em laboratórios e salas de aula precisa acabar, em benefício dos animais e de toda a sociedade.

*Abrigos* Além dos logradouros públicos e dos Centros de Controle de Zoonoses, podemos encontrar animais nos abrigos de sociedades protetoras. Os abrigos constituem uma forma de proteção animal, havendo organizações que não os têm, por preferirem agir de outras maneiras. De qualquer modo, em muitas cidades, a população costuma associar proteção e abrigos, e até por isso é importante que se comente seu trabalho.

Em primeiro lugar, cabe refletir sobre um determinado tipo de abrigos, que são muito comuns nos Estados Unidos e se intitulam "eutanásicos". Eutanásia
significa "morte piedosa", e por definição é, ou pode ser, destinada a indivíduos, animais ou mesmo humanos, que se encontram em estado de
sofrimento grave e irrecuperável, por motivo de acidente ou doença. Acontece que estes abrigos, para evitar o risco de se sobrecarregarem, optam por
aplicar tal procedimento, só que em animais saudáveis, cujo único problema é terem sido abandonados. Ainda que não se tenha a intenção de condenar estes abrigos de maneira cega ou irrefletida, o fato é que matar um animal saudável não pode ser realmente chamado de "eutanásia", e antes constitui
uma violação de seu instinto natural de viver. A preocupação com um animal, por maior que seja, produz um resultado no mínimo contraditório, quando
resulta na morte de seres que, a despeito de suas agruras, ainda têm uma vida pela frente. (Mais parece que, nesses casos, os animais são punidos
pela segunda vez - pois já o haviam sido quando foram abandonados, e agora o são ao serem mortos, porque o abrigo não quer se arriscar a ter excesso de animais, ou outro motivo qualquer.)

Quanto aos abrigos chamados não-"eutanásicos", estes enfrentam o desafio de serem um destino para animais que chegam até ali pelos mais diversos
motivos, carecendo dos mais diversos auxílios. Estes abrigos não oferecem apenas acolhimento a animais em abandono. Alguns têm serviços de atendimento comunitário, ou convênios com clínicas veterinárias, que permitem a pessoas de baixa renda consultar seus animais a preços mais acessíveis. Assim, animais são socorridos em casos de maus-tratos, recebem vacina, são esterilizados, e seus responsáveis obtêm diversos esclarecimentos, sobre os cuidados que devem ter.

Entretanto, o maior desafio de um abrigo está em acolher um número crescente de animais. A superpopulação que existe nas ruas, muitas vezes, termina por incidir, também, em seu interior - tornando-o, de certa maneira, outra vítima dessa realidade. Há abrigos que, por se tornarem muito conhecidos, tornam-se um destino de grande parte dos animais que são abandonados diariamente. A opção, neste caso, é fechar as portas ou receber os animais,
o que é uma situação onde nenhuma escolha pode ser satisfatória. Às vezes, a única saída é encerrar o próprio trabalho no abrigo, quando a demanda supera sua capacidade de atendimento.

Nos maiores abrigos, é comum pessoas chegarem, todos os dias, carregando animais. Algumas preferem agir furtivamente e os amarram em frente às
instituições, partindo sem justificativas. Nos casos em que tentam justificar a atitude, os argumentos são freqüentemente confusos, pois na verdade não há justificativa alguma. Tudo que se quer é abandonar um animal que não é mais desejado.

Para as vítimas dessa rejeição, restam as saudades do antigo lar e, até mesmo, da pessoa que os rejeitou. Frequentemente, são animais idosos, que
não conseguem se readaptar. Na maioria, isto ocasiona uma depressão irremediável, que os leva a definhar até morrer.

E chegam também animais trazidos da rua, que se encontram em situações de emergência - ou porque foram vítimas de acidentes, ou porque sofreram
crueldades, ou porque as privações os deixaram em estado crítico. Para estes animais, que nunca viveram em residência, a adaptação pode ser melhor.

Os abrigos sempre têm por objetivo ser um repouso transitório, até encaminharem os animais para uma moradia definitiva. Entretanto, encontrar
destino para todos é difícil, de forma que a maioria permanece ali. Para os que ficam, há um lugar onde podem continuar vivendo, ainda que em condições
que dificilmente são as ideais, enquanto ninguém vier buscá-los.

Mesmo vivendo num abrigo, podemos considerar que o abandono desses animais não cessou, pois continuam esquecidos pela sociedade. Os abrigos usualmente lutam sem auxílio do governo, mantidos pelas doações de sócios, nem sempre muito numerosos. Enquanto isso, trabalho e despesas só fazem crescer.

Há exemplos de abrigos que, por terem sido fundados com recursos mais vultosos, conseguem evitar esses problemas. Outros, localizados em cidades
menores, permanecem mais tranqüilos, da mesma forma. Todavia, é importante que se busque sempre informar as pessoas, para que não comecem a ver o abrigo como uma saída fácil, quando lhes falta vontade de enfrentar os deveres que assumiram perante os animais. Por infelicidade, esta é uma
conclusão a que muita gente, de modo irrefletido, acaba chegando - e como corrigir esta tendência do ser humano a não enxergar as conseqüências dos
seus atos?

Em todo caso, os abrigos lutam para ser uma alternativa, senão ao abandono, elo menos à solidão. Nestas instituições, os animais podem estar esquecidos pela sociedade, mas contam com pessoas que cuidam deles. Como foi dito, certos problemas podem se tornar graves, no interior dos próprios abrigos. Todavia, qualquer que seja a avaliação sobre esta forma de socorrer os animais, deve-se lembrar que a sociedade inteira é responsável pelo
abandono, um problema que permitiu que se tornasse tão grave, e ainda hoje reluta em combater.

O abandono nunca pode ser visto como uma situação natural. Como foi dito antes, depois de séculos de domesticação, os animais não sabem mais como
viver sozinhos - não, nos modernos centros urbanos. É por isso que precisam da proteção que só um lar pode oferecer, no sentido mais pleno. É
contraditório que, numa sociedade onde alguns cães e gatos recebem tanta atenção, a imensa maioria seja relegada ao abandono.

Pouco se reconhece ainda a capacidade dos animais de sentir, sua necessidade de afeto e seu sofrimento, quando abandonados. Esta é uma postura
disseminada na sociedade, e o problema somente poderá ser resolvido quando ela mudar. E há maneiras bastante simples de governos e cidadãos agirem, na busca desse objetivo. Na verdade, a transformação precisa começar em cada pessoa, que, a partir de algumas ações, começará a influir no ambiente ao seu redor.

E como podemos agir? Simplesmente, atentando para alguns detalhes que fazem toda a diferença. É o que se verá agora.

A RESPONSABILIDADE DOS CIDADÃOS


*Não compre* Não é difícil perceber, nos meios de comunicação, a incessante propaganda voltada para a venda de animais. Nossa cultura transformou em hábito comprá-los em lojas, feiras ou diretamente dos criadores. Assim, inúmeros canis e gatis mantêm-se em constante atividade, produzindo ninhadas e
vendendo filhotes por preços altos.

O primeiro problema que este enaltecimento da compra acarreta, inevitavelmente, é o esquecimento daqueles que mais precisam de atenção. Um
animal que sobrevive nas ruas, ou encontra-se num abrigo, ou espera a morte num CCZ, poderia ser um ótimo companheiro para qualquer pessoa, mas continua relegado a segundo plano, enquanto os criadores vendem.

No fundo, o que a propaganda perpetua é a crença de que qualquer animal, no cercado de uma pet shop, está pronto para ser levado para casa, enquanto
outros animais, que vivem nas ruas e nos abrigos, já perderam essa condição. Isto atinge até mesmo animais de raça que se encontram perdidos, pois a
primeira opção da maioria das pessoas continua sendo visitar uma loja. E a partir do momento em que se estabelece um tratamento tão díspar, cria-se o
terreno onde o abandono prolifera.

Quem vai a uma loja para comprar um animal, geralmente, é movido pela intenção positiva de cuidar dele. Entretanto, é urgente que se compreenda
que a primeira forma de cuidar de um cão ou um gato é jamais comprá-lo. Mesmo que alguém veja um animal num cercado de uma loja e se sinta tomado
por afeto, isto não muda a realidade de que aquele animal está sendo explorado, por um tipo de comércio que não devia existir.

Quanto aos criadores, é comum afirmarem que têm afeto pelos animais que vendem. O fato é que a grande maioria dos criadores não gosta dos animais, o
que já foi dito por quem atuou no ramo e, portanto, o conhece a fundo. Ainda que afirmem o contrário, cumpre indagar até que ponto amor aos animais pode
ser associado com fazê-los se reproduzir para depois vendê-los.

Criadores que já adquiriram certo renome tratam seus animais com algum cuidado, não deixando que procriem além de poucas vezes ao ano, etc.
Todavia, há milhares de canis e gatis "de fundo de quintal", que utilizam várias cadelas ao mesmo tempo, cada uma parindo de forma ininterrupta.
Comumente, podemos ver o resultado dessa produção até mesmo nas calçadas, onde animais são expostos ao lado de uma placa com o valor pedido.
Lamentavelmente, até mesmo a venda ilegal atrai público, que fica encantado pelos filhotes, sem notar o problema que isto envolve.

O problema mais grave acontece quando falta um mínimo de consciência. Assim, como criadores inescrupulosos agem, quando um filhote nasce com alguma doença ou má-formação? Certamente, não gastam dinheiro e tempo, ficando com o animal - a resposta é que o matam ou abandonam. Uma vez que a "produção" é incessante, é natural supor que tais incidentes se verifiquem com frequência.

E como agem tais criadores, quando suas "matrizes" - as fêmeas usadas para reprodução - ficam doentes ou envelhecem? Jogam-nas na rua, ou deixam-nas num abrigo, ou matam-nas também. Afinal, segundo as regras do comércio, estes animais perderam a serventia, deixaram de oferecer lucro.

Diante desses fatos, a compra de animais perde muito de seu encanto. Afinal, seja praticado por criadores de renome ou pet shops bem conceituadas, seja
praticado por vendedores de última categoria, o comércio de animais é sempre nocivo. Por outro lado, existe uma maneira de trazer um animal para nosso
convívio, sem resvalar nesses problemas: a adoção.

Enquanto estamos acostumados com o comércio de animais, e ainda não percebemos a gravidade do abandono, comprar parece natural. Mas, a partir do
momento em que nos damos conta da multidão de animais sem lar, e de todos os sofrimentos que estão passando, torna-se mais natural ainda querer ajudar algum deles, tirando-o desta situação. É quando adotamos.

*Adote* Há diversas formas de adotar. A primeira consiste em abordar um cão ou gato na rua, pôr-lhe uma coleira ou guardá-lo numa caixa apropriada, e então levá-lo para casa.

Também é possível encontrar animais prontos para serem adotados nos CCZs. Ali, há uma ficha com a avaliação do animal, o que pode facilitar a escolha.
Se se trata de um CCZ que mata os animais que recolhe, torna-se mais evidente o caráter salvador da adoção, pois é a única maneira de livrar o
animal do fim que o aguarda ali. Claro, como pode dizer qualquer pessoa que teve esta iniciativa, é também uma experiência dolorosa, uma vez que outras
vidas permanecem ali. Entretanto, o impulso deve vir do desejo de salvar ao menos um, se todos os outros não podem ser salvos também.

Por último, pode-se visitar um abrigo, onde há muitos animais à espera. Os funcionários do abrigo poderão indicar aquele mais próximo das
características desejadas. Os abrigos procuram conhecer os interessados na adoção, esclarecendo o que for necessário sobre a responsabilidade que
pretendem assumir. Nisso, se percebe a diferença entre encaminhar um animal para um lar onde será bem cuidado e vendê-lo sem perguntar nada, porque na verdade não há interesse pelo seu bem.

Quem está muito interessado em um animal de uma raça em particular tem chances de encontrá-lo num abrigo, CCZ ou até nas ruas. Afinal, como já
mencionamos, há um número crescente desses animais sendo abandonados. E quem deseja um filhote também o encontrará sem dificuldade, pois, lamentavelmente para eles, há animais nascendo todos os dias. Mas é importante saber que, independentemente de raça ou idade, qualquer animal está apto para a adoção, necessitando apenas ser educado para a vida numa residência.

Um mito comum é o de que animais abandonados são doentes. De fato, correm mais o risco de contrair certas doenças, mas mesmo quando as contraem,
dificilmente são tão graves a ponto de inviabilizar a adoção. Doenças de pele, embora prejudiquem sua aparência, são facilmente contornáveis, até
mesmo com banhos. Da mesma forma, outras enfermidades que acaso apresentem necessitam apenas de cuidado, para se restituir ao animal sua saúde.

Mas a verdade é que não há tantos animais doentes como os CCZs fazem acreditar. De qualquer forma, nem a presença de um quadro mais grave pode
enfraquecer a decisão de quem pretende ajudar um animal. Ao contrário, representa uma oportunidade de oferecer-lhe os cuidados que necessita. Uma
vez mais, a percepção do sofrimento pode mudar critérios, colocando as necessidades do outro ser em primeiro lugar.

O fundamental na adoção é o entendimento das necessidades dos animais. Ao contrário da compra, não nos torna seus proprietários, mas sim seus
guardiões. (Embora, perante a lei, uma pessoa sempre seja proprietária do animal, falamos aqui do tipo de relação que estabelece com ele, pela maneira
como o traz para junto de si, e nisso comprar ou adotar faz toda a diferença.) Nesta guarda, que conscientemente assumimos, somos também
recompensados, pois temos a consciência de haver salvo um animal que, de outra forma, talvez não vivesse muito. Nenhuma loja vende este sentimento.

*Esterilize* Muita gente ainda reluta em fazê-lo, pois consideram que a reprodução é atural dos animais e os humanos não devem interferir. Há ainda alguns eceios, ligados à saúde do animal, que temem prejudicar. Enfim, algumas pssoas, mesmo não sendo criadoras profissionais, desejam lucrar com a venda os filhotes. Seja por um motivo ou outro, muitos animais continuam e produzindo-se em seus lares, e inúmeros filhotes precisam encontrar
destino a cada ano.

Assim como a adoção, é preciso contemplar a esterilização numa perspectiva mais ampla. Por melhores que sejam as intenções, não se pode decidir somente baseado em sentimentos, receios ou interesses pessoais. Pois, cada vez que um animal se reproduz, o risco do abandono torna-se presente. A forma como lidamos com o animal que vive em nosso lar impacta, dessa maneira, em toda a sociedade.

O motivo é simples: não há meios de garantir que todos os filhotes terão lar. Cães e gatos podem ter várias crias por ano, e cada uma também pode ter
vários descendentes... Onde encontrar, com absoluta segurança, quem cuide deles? Então, imagine-se milhões de lares, em todas as cidades do mundo, permitindo estes nascimentos, e a incerteza quanto ao futuro dos filhotes. É comum pensar, quando se doa ou vende um animal, que ele ficará seguro. Mas o fato é que, por melhor que se escolha os novos guardiões, algum filhote, ou um descendente seu, poderá ser abandonado. No final das contas, é isto que
acontece, o tempo todo, como atestam ruas, abrigos e CCZs.

Assim, esterilizar é um ato de compaixão por todos os animais - principalmente, pelos que ainda não nasceram. Impedindo que outros animais venham ao mundo, também se oferece mais oportunidade aos abandonados, que precisam de um lar. Diante do enorme sofrimento que existe, de tantos
animais sem rumo, a única conclusão possível é que devemos ajudá-los, começando por não contribuir para aumentar sua quantidade.

E não deve haver receio de que isto prejudique os animais. No sentido psicológico, eles não necessitam do relacionamento sexual como os humanos.
Uma vez esterilizados, esta idéia simplesmente não lhes passará pela cabeça, de modo que continuarão vivendo normalmente. E quanto à saúde física, longe de causar algum mal, a esterilização acarreta benefícios, ajudando a evitar o surgimento de certas doenças, relacionadas à produção de hormônios sexuais no organismo.

COMITÊ PESQUISA DIVULGAÇÃO E DEFESA DIREITOS ANIMAIS