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Poemas Sobre Animais...

 

Lindo e triste, poema "Solidão de Natal "

Sempre vivi na rua, fui arrancada de minha mãe e atirada num valão para morrer. Não compreendo porque sobrevivi. Passei um ano sozinha, catando comida em lata de lixo, sendo enxotada por pés cruéis, agredida por mãos vis. Um dia, por acaso, conheci meu companheiro de infortúnio. Nos apaixonamos. Tive oito bebês, lindos. Todos estão mortos. Meu marido morreu atropelado em novembro, dia quinze. Era um cão feio, mas muito carinhoso. Ajudava-me muito, procurando comida por toda parte e o que encontrava, sempre trazia para nós. Morreu pelas mãos de um grupo de adolescentes humanos, que se divertiu jogando álcool e ateando fogo em seu corpo frágil e magro.

Sozinha, tentei criar nossos filhotinhos. Dois foram atropelados por um carro em alta velocidade: três morreram de cinomose, um foi espancado por uma menina que se irritou com sua presença minúscula e delicada e os outros dois foram trucidados por um homem que não aceitou quando entraram em sua casa para pedirem comida.

Estou só.

Arrasto meu corpo cansado pelas ruas, rezando para que um carro me atropele. Mas o meu suplício não tem fim... Hoje é Natal, a noite foi marcada por fome, tiros e explosões de fogos de artifício. Meus ouvidos estão latejando, vi tantos cães perdidos vagando nas ruas... A tristeza está tomando conta de mim.

Não tenho mais esperança.

Meu marido sempre dizia que a esperança é a última que morre.

A minha morreu antes.

É Natal. Espero que o seu seja melhor que o meu.